A empreendedora Ana Maria Lucia Silva, que hoje atende principalmente via delivery, busca ampliar a presença no mercado B2B
A Massas Maná nasceu de uma experiência prática e de uma necessidade real, criada por Ana Maria Lucia Silva em Limeira (SP). Depois de trabalhar por anos em buffets, ela ficou desempregada em 2016 e decidiu investir em uma renda alternativa. Começou de forma simples, vendendo sob encomenda massas feitas por outra cozinheira. Com o tempo, o negócio foi se ampliando. “Há três anos, comecei a me ver como empreendedora. Passei a buscar conhecimento, participar de eventos, projetos e cursos gratuitos”, conta Ana.
Hoje, a empresa oferece massas frescas artesanais, como ravioli, sorrentino, rondelli, talharim e cavatelli, além de molhos para acompanhar. Os produtos são pré-cozidos e congelados, pensados para quem busca praticidade. “O tempo de preparo é entre um e cinco minutos. É bem rápido, mas sem abrir mão do sabor e da qualidade”. A produção é compartilhada com a irmã, enquanto Ana cuida de áreas como vendas e financeiro. Paralelamente, ela trabalha como faxineira, o que torna desafiador gerenciar o tempo.
Mesmo assim, o objetivo é bem definido: transformar a Massas Maná em sua principal fonte de renda o mais rápido possível. Além das encomendas, a marca atende via delivery pelo iFood, canal que representa a maior parte das vendas. Na plataforma, as massas são comercializadas prontas para consumo. O ravioli e o sorrentino são os produtos mais procurados. Recentemente, Ana também passou a investir no modelo B2B (Business to Business), com foco em mercados, e pretende ampliar essa frente do negócio.
A empresa se destaca pelo cuidado com o preparo, evitando ao máximo ingredientes industrializados. As massas e os molhos são feitos do zero, priorizando itens naturais – até o sal de ervas usado nos temperos é produzido internamente. Para 2026, a intenção é ampliar o cardápio com marmitas congeladas, prontas para ir ao micro-ondas. Os produtos devem ser destinados a locais como minimercados autônomos de condomínio, que atendem públicos como estudantes universitários.
Aprendizados e crescimento
Em 2025, Ana participou do Ganhaê, Mulher – projeto gratuito que apoia o empreendedorismo feminino brasileiro. A iniciativa, realizada pelo Mercado Pago em parceria com a Aliança Empreendedora e a Barkus, foi lançada em 2022. O intuito é promover educação de forma descomplicada para que elas possam crescer, organizar melhor a gestão e conquistar mais autonomia financeira. Outro foco é conectar mulheres, incentivar a troca de experiências e o apoio entre elas.
Ela esteve presente nas duas primeiras fases: formação via WhatsApp e, depois, a aceleração conduzida pela Aliança, com 100 mulheres selecionadas para três assessorias individuais, três mentorias coletivas e um grupo de networking. “Consegui ter um entendimento maior das vendas B2B. A minha mentora trouxe pontos essenciais, inclusive sobre tentativas que não deram certo. Então, aceitei que preciso passar por alguns processos até chegar onde quero”, conta Ana.
O aprendizado também veio das mentorias coletivas, especialmente na área financeira. Conceitos como ponto de equilíbrio, precificação e controle de custos, que antes pareciam confusos, passaram a fazer sentido e hoje integram a rotina da empreendedora. Com o uso de planilhas e acompanhamento dos números, Ana consegue tomar decisões mais assertivas. “Agora, consigo identificar e valorizar o produto que está dando mais lucro. E sei o que posso comprar, quanto posso gastar, todos esses detalhes”.
Para ela, o formato prático do programa, aliado à troca entre mulheres empreendedoras, fez toda a diferença. “Às vezes, o problema da outra é o mesmo que o meu. E isso acende uma luz”. Quando pensa no futuro, Ana é guiada pela independência financeira e de tempo que deseja conquistar – agora com mais estratégia e conhecimento. “Quero conseguir ampliar o número de clientes, incluindo restaurantes, mercados, empórios e demais empresas interessadas. Espero que 2026 seja o ano da liberdade”, finaliza.