Uma iniciativa de empreendedorismo social nasce para suprir a falta de oportunidade, renda e acesso a serviços básicos.
Hoje, no Brasil, milhões de pessoas ainda buscam no empreendedorismo caminhos para sobreviver.
Não é à toa que em 2024, mais de 4,3 milhões de novos negócios foram abertos, e só no início de 2025 surgiram outros 1,4 milhão.
Na prática, esses empreendedores estão na busca de construir negócios que geram renda e, ao mesmo tempo, consertam falhas sociais.
E é aí que uma iniciativa de empreendedorismo social entra em ação.
Como? É isso que vamos mostrar a você ao longo deste artigo!
O que é uma iniciativa de empreendedorismo social?
Uma iniciativa de empreendedorismo social é um modelo de negócio criado para resolver problemas sociais ou ambientais de forma sustentável.
Para isso, funciona com empresas que geram receita enquanto promovem impacto positivo.
Esse movimento cresce junto com o cenário empreendedor do país: mais de 4,3 milhões de novos negócios foram registrados em 2024, de acordo com o Serasa Experian, o que indica um ambiente fértil para inovação.
Além disso, só no primeiro trimestre de 2025, o Brasil abriu cerca de 1,4 milhão de pequenos negócios, segundo o Sebrae, impulsionados por políticas públicas.
Esses números provam que empreender é um caminho de inclusão social.
Características de uma iniciativa de empreendedorismo social
Esse tipo de negócio combina propósito e viabilidade econômica, logo, suas principais características explicam por que esse modelo se diferencia no mercado:
- foco em impacto social ou ambiental: o objetivo principal é transformar realidades, como ampliar acesso à educação, renda ou saúde;
- sustentabilidade financeira: não depende apenas de doações, pois gera receita para manter e expandir suas atividades;
- inovação na solução de problemas: usa novas abordagens para desafios antigos, adaptadas ao contexto local;
- reinvestimento dos resultados: parte do lucro é direcionada para ampliar o impacto social;
- escalabilidade e transformação local: começa pequeno, mas cresce e inspira mudanças em outras comunidades.
Empreendedorismo social x filantropia x responsabilidade social x projetos assistencialistas: qual a diferença?
É comum confundir esses conceitos, mas entender as nuances é crucial. De forma resumida:
- a filantropia doa recursos;
- a responsabilidade social é um compromisso ético das empresas;
- o assistencialismo geralmente oferece um alívio imediato, mas não permanente;
- iniciativas de empreendedorismo social criam um negócio cujo próprio core é a solução de um problema, de forma autossustentável e com inovação.
A tabela abaixo detalha essas diferenças:
| Modelo | Objetivo principal | Fonte de recursos | Duração do impacto | Relação com beneficiários |
| Empreendedorismo social | Resolver problema social com negócio | Receita própria | Longo prazo | Parceiros e clientes |
| Filantropia | Ajudar causas sociais | Doações | Pontual | Receptores de ajuda |
| Responsabilidade social | Melhorar imagem e impacto da empresa | Lucro da empresa | Variável | Comunidade |
| Assistencialismo | Suprir necessidades imediatas | Recursos públicos ou privados | Curto prazo | Dependência |
Quais problemas uma iniciativa de empreendedorismo social pode resolver?
O espectro de atuação é vasto, pois iniciativas de empreendedorismo social podem ser a chave para enfrentar desafios estruturais do Brasil, indo da base até a inclusão na economia digital.
É sobre criar soluções que empoderem pessoas e comunidades. Veja abaixo alguns exemplos.
Acesso à educação
Negócios sociais desenvolvem plataformas de ensino acessíveis, produzem materiais didáticos de baixo custo ou criam metodologias inovadoras para comunidades periféricas.
Ou seja, eles complementam o sistema tradicional, uma vez que preenchem lacunas específicas e garantem que o conhecimento chegue a quem mais precisa.
Desigualdade social
Aqui, o foco é agir nas raízes da desigualdade.
É por isso que muitas iniciativas de empreendedorismo social trabalham diretamente com a redução da pobreza, alinhando-se ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1 da ONU.
Para isso, criam oportunidades econômicas, facilitam o acesso a direitos básicos e promovem justiça social.
Deste modo, redistribuem renda e, ao mesmo tempo, poder e oportunidades.
Geração de renda
Este é um dos campos mais férteis, já que uma iniciativa de empreendedorismo social capacita pessoas para que criem sua própria fonte de sustento, logo, promovem o trabalho decente, a ODS 8 da ONU.
Aqui, uma tendência poderosa é a transformação de beneficiários de programas sociais em microempreendedores.
Um levantamento recente do Sebrae mostrou que 4,6 milhões de pessoas inscritas no CadÚnico são MEIs, sendo que 2,5 milhões começaram a empreender após a inscrição.
Isso demonstra como políticas sociais combinadas com apoio técnico abrem portas para a autonomia econômica de famílias em vulnerabilidade.
Desenvolvimento local
Ao surgir e atuar dentro de uma comunidade, uma iniciativa de empreendedorismo social movimenta a economia local, cria empregos, valoriza a cultura e os saberes da região.
Desta forma, o desenvolvimento deixa de ser uma promessa externa e se torna um processo construído de dentro para fora, algo que fortalece o tecido social como um todo.
Inclusão produtiva e digital
Negócios de impacto atuam com a capacitação de grupos marginalizados para o mercado de trabalho (inclusão produtiva) e ensinam habilidades digitais essenciais para a atualidade.
Assim, eles quebram barreiras, conectam talentos subutilizados a oportunidades e garantem que a revolução digital não deixe ninguém para trás.
Como criar ou fortalecer uma iniciativa de empreendedorismo social
Colocar uma ideia transformadora em prática exige método. Não basta a intenção; é preciso planejamento e ação.
Se você quer iniciar ou escalar uma iniciativa de empreendedorismo social, alguns passos são fundamentais. Veja abaixo quais são!
Identificar um problema social real
Converse com a comunidade, mergulhe no contexto. O problema precisa ser profundo, específico e relevante para quem o vive.
E nesta etapa, evite suposições. A empatia e a escuta ativa são suas ferramentas principais nesta fase de descoberta.
Construir uma solução viável
Com o problema definido, desenhe um produto ou serviço que o enfrente.
Essa solução precisa ser desejada pelo público, tecnicamente exequível e, crucialmente, deve gerar receita suficiente para cobrir seus custos e permitir o reinvestimento.
Teste em pequena escala
Antes de investir tudo, valide sua ideia com um projeto-piloto ou mínimo produto viável (MVP).
Para isso, ofereça a solução para um grupo pequeno, colete feedbacks reais e esteja pronto para ajustar o curso. Esse aprendizado inicial é inestimável.
Busque parcerias e apoio institucional
Sozinho, o caminho é mais difícil. Então, busque organizações, incubadoras, institutos ou empresas com objetivos alinhados.
Uma parceria estratégica pode oferecer mentoria, recursos, networking e credibilidade para sua iniciativa de empreendedorismo social.
Mensure o impacto social
Como você sabe que está causando transformação? Defina indicadores claros e métricas de impacto social desde o início, como:
- quantas pessoas foram capacitadas;
- qual o aumento na renda familiar;
- quantas toneladas de resíduos foram recicladas.
Medir o impacto é essencial para melhorar, reportar a investidores e atrair novos apoios.
Iniciativa de empreendedorismo social: exemplo
O programa Pense Grande, da Fundação Telefônica Vivo com apoio da Aliança Empreendedora, é um exemplo concreto de iniciativa de empreendedorismo social.
O projeto capacita jovens para criar e estruturar negócios de impacto social por meio de formações práticas.
A Barkus Educacional, que ensina educação financeira para adolescentes, é um fruto desse ecossistema.
A fundadora Beatriz Santos destaca que o programa foi crucial para estruturar o negócio e promover um profundo desenvolvimento pessoal dos empreendedores, mostrando que iniciativas de empreendedorismo social investem tanto no projeto quanto nas pessoas por trás dele:
“Para mim, o mais legal do programa é o investimento no desenvolvimento do empreendedor. Nós conversávamos muito sobre como entramos no programa muito crus, sem muita noção do que estávamos fazendo, apesar de já ter um direcionamento. Nós saímos literalmente vestindo a camisa do empreendedor. Ter esses momentos de autoconhecimento, muito promovidos durante as imersões, ajudaram nesse salto de desenvolvimento que foi essencial”.
Conheça mais sobre o projeto no vídeo abaixo:
O papel da Aliança Empreendedora no empreendedorismo social
Há 20 anos, a Aliança Empreendedora atua como um catalisador essencial para esse ecossistema.
Nossa missão é capacitar e apoiar microempreendedores em situação de vulnerabilidade em todo o Brasil.
Por aqui, acreditamos (e provamos) que todos podem empreender e que o empreendedorismo é um caminho potente para a inclusão.
Por isso, desenvolvemos cursos gratuitos, realizamos pesquisas e cocriamos projetos com empresas, tudo com foco em micro e pequenos empreendedores brasileiros.
Deste modo, já apoiamos mais de 140 mil empreendedores e conectamos a nossa atuação diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Perguntas frequentes sobre iniciativa de empreendedorismo social
O que diferencia uma iniciativa de empreendedorismo social de uma ONG?
A principal diferença está no modelo de sustentabilidade. Uma ONG depende majoritariamente de doações e editais, enquanto as iniciativas de empreendedorismo social gera sua própria receita por meio da venda de produtos ou serviços, garantindo maior autonomia.
Quais áreas mais usam o empreendedorismo social?
Educação, geração de renda, saúde básica, meio ambiente, inclusão digital e desenvolvimento comunitário são os campos mais comuns para essas iniciativas de empreendedorismo social atuar, por terem desafios claros e demanda por soluções inovadoras.
Empreendedorismo social é assistencialismo?
Não. O assistencialismo oferece ajuda pontual. As iniciativas de empreendedorismo social busca uma solução definitiva e empoderadora, criando mecanismos para que as pessoas superem a dependência do auxílio externo.
Negócios sociais funcionam no Brasil?
Sim. O país tem ambiente favorável, com crescimento de MEIs, políticas públicas e consumidores cada vez mais atentos a causas sociais.
Preciso de um CNPJ para começar?
Não necessariamente no início, mas para crescer, captar recursos e formalizar parcerias, ter um CNPJ (como MEI, EIRELI ou LTDA) é muito importante e dá mais profissionalismo à sua iniciativa.
Quem pode criar um negócio social?
Qualquer pessoa com uma ideia de solução para um problema real e disposição para aprender gestão e impacto social pode iniciar um negócio social.

