Skip to main content

A tecnologia social é uma forma de criar soluções que consideram as necessidades de quem vive determinado problema, algo importante quando iniciativas sociais não chegam de maneira adequada a todos os públicos. 

No empreendedorismo, esse olhar ajuda a compreender melhor quem trabalha por conta própria e quais barreiras afetam sua renda e seu negócio. 

A partir dessa perspectiva, estudos, metodologias e ferramentas apoiam mudanças concretas. Entenda como!

O que é tecnologia social?

Tecnologia social é um conjunto de produtos, serviços, técnicas ou metodologias desenvolvidas com participação direta de pessoas e comunidades com o objetivo de responder a questões sociais de forma acessível.

Uma característica desta prática é a participação dos beneficiários durante a construção da iniciativa. 

Assim, ao invés de criar algo distante das necessidades de determinado público, a proposta considera experiências, conhecimentos e condições existentes.

Entre principais particularidades estão:

  • participação comunitária;
  • acessibilidade;
  • uso combinado de conhecimentos técnicos e locais;
  • possibilidade de replicação;
  • foco em necessidades sociais;
  • geração de autonomia e oportunidades.

Por isso, esse método consegue ser aplicado em áreas como educação, geração de renda, segurança alimentar, meio ambiente, saúde, moradia e inclusão produtiva.

Como funciona uma tecnologia social?

O funcionamento parte das condições da comunidade e passa por construção, aplicação e avaliação. Um caminho possível envolve:

  1. Identificar uma questão social: entender qual problema afeta determinado grupo e quais fatores estão relacionados a ele.
  2. Ouvir quem vive essa situação: reunir experiências, conhecimentos e necessidades das pessoas envolvidas.
  3. Construir a proposta em conjunto: desenvolver uma metodologia, ferramenta, serviço ou produto adequado ao contexto.
  4. Aplicar com a comunidade: colocar a proposta em uso e observar como ela funciona no cotidiano.
  5. Avaliar os resultados: acompanhar aprendizados, mudanças e limitações encontradas durante a aplicação.
  6. Aperfeiçoar e compartilhar: ajustar o que for necessário e disseminar o conhecimento para que outras comunidades possam adaptá-lo.

Qual a diferença entre tecnologia social e tecnologia tradicional?

A diferença está no fato de que uma tecnologia pode ser criada prioritariamente para atender a uma demanda comercial ou operacional e a tecnologia social nasce vinculada a uma necessidade social e à participação dos públicos envolvidos.

Tecnologia social Tecnologia tradicional
Parte de uma necessidade social Pode partir de uma demanda comercial ou técnica
Envolve participação dos beneficiários Pode ter desenvolvimento mais centralizado
Prioriza acessibilidade e alcance social Pode priorizar desempenho, escala ou retorno comercial
Pode combinar saberes locais e técnicos Costuma partir de conhecimentos técnicos específicos
Busca possibilidade de replicação em diferentes contextos A replicação depende do modelo e do mercado

Um aplicativo de gestão financeira desenvolvido para empresas, por exemplo, tem recursos avançados e costuma ser vendido por assinatura. 

Já uma metodologia gratuita de educação financeira criada com pequenos empreendedores pode priorizar linguagem acessível, custo zero e adaptação às condições de quem trabalha por conta própria.

Os dois casos envolvem conhecimento e ferramentas. A diferença está no propósito e na maneira como a iniciativa é construída e disponibilizada.

Quais são alguns exemplos de tecnologia social no Brasil?

Um exemplo é o trabalho da Aliança Empreendedora com estudos sobre microempreendedorismo, pois com a produção e disseminação de dados sobre quem empreende no Brasil, há uma contribuição para que empresas, instituições e formuladores de políticas públicas compreendam melhor esse público.

O estudo mais recente, por exemplo, chama-se ‘Tese de impacto para inclusão produtiva e crescimento do PIB até 2030’ e mostra a dimensão e as características desse grupo no país. Alguns dos principais dados são:

  • 27,9 milhões de microempreendedores estavam no Brasil em 2025, representando mais de 27% das pessoas ocupadas;
  • 34,7% dos microempreendedores estavam formalizados em 2025, enquanto a maior parte ainda permanecia na informalidade;
  • a renda média mensal deste grupo estava em torno de R$ 6.500 entre os formalizados, contra aproximadamente R$ 2.000 entre os informais;
  • a formalização esteve associada a um ganho médio de renda de cerca de 9,5%, segundo a análise apresentada no estudo;
  • a taxa de formalização variava entre as regiões: 48% no Sul, 41,7% no Sudeste, 40% no Centro-Oeste, 20,5% no Norte e 15,5% no Nordeste;
  • em uma das simulações para 2030, um aumento de 10 pontos percentuais na formalização poderia representar até R$ 181 bilhões adicionais no PIB;
  • a projeção também estima que cerca de 2 milhões de brasileiros poderiam ficar fora da linha da pobreza no cenário nacional analisado.

Esses números mostram por que produzir conhecimento sobre quem empreende deve fazer parte de um projeto de impacto social. 

Afinal, os dados permitem enxergar diferenças de renda, formalização e condições de trabalho que muitas vezes ficam escondidas quando o microempreendedorismo é analisado apenas pelo número de negócios existentes.

Como a tecnologia social pode fortalecer micro e pequenos empreendedores?

Ela fortalece micro e pequenos empreendedores ao ampliar o acesso a conhecimentos, ferramentas e oportunidades que muitas vezes não estão disponíveis de forma simples ou gratuita. Esse apoio aparece em diferentes frentes:

  • educação financeira;
  • gestão do negócio;
  • formalização;
  • acesso a mercados;
  • planejamento;
  • desenvolvimento de competências;
  • uso de ferramentas digitais;
  • conexão com organizações e empresas.

Neste cenário, as iniciativas de acesso ao conhecimento precisam considerar mais do que o conteúdo oferecido. 

A infraestrutura disponível, a conectividade, a escolaridade, o território e o acesso a mercados também interferem nas possibilidades econômicas.

Tecnologia social mostra como experiências e condições fortalecem microempreendedores com apoio comunitário

Qual é o potencial da tecnologia social para a inclusão produtiva?

Seu potencial para a inclusão produtiva está na capacidade de aproximar conhecimento e oportunidades de pessoas que enfrentam barreiras de acesso.

A tese da Aliança Empreendedora mostra que aproximadamente 10,4 milhões de microempreendedores estão no Cadastro Único, sendo cerca de 57% informais. Entre esse grupo, 5,9 milhões são microempreendedores informais.

Os dados também apontam uma relação entre infraestrutura e formalização. 

Segundo o estudo, o acesso a esgoto está associado a um aumento de 3,2 pontos percentuais na probabilidade de formalização no ano seguinte, enquanto o acesso à internet está associado a um aumento de 2,8 pontos percentuais.

Isso ajuda a entender que a inclusão produtiva depende de um conjunto de condições. 

Uma capacitação é capaz de ampliar conhecimento, mas seu alcance econômico também está relacionado a fatores como conectividade, crédito, infraestrutura e acesso a mercados.

Por fim, o estudo ainda estima que a formalização esteja associada a um ganho médio de 9,5% na renda do trabalho, embora ressalte que formalizar não gera renda automaticamente. 

Ou seja, o acesso a mercados, crédito, emissão de notas e construção de clientela aparece como parte desse mecanismo.

Como empresas podem apoiar e ampliar tecnologias sociais?

Empresas podem apoiar tecnologias sociais por meio de:

  • investimento social privado;
  • financiamento de projetos;
  • compartilhamento de conhecimento;
  • desenvolvimento de produtos e serviços;
  • construção conjunta de iniciativas.

Uma empresa do setor financeiro, por exemplo, tem a chance de contribuir com conhecimento sobre educação financeira, enquanto uma companhia com atuação territorial consegue colaborar ao levar uma metodologia a diferentes regiões.

A parceria também tem a chance de envolver pesquisa, comunicação, avaliação dos resultados e até mesmo voluntariado corporativo.

Dessa forma, diferentes competências são reunidas em torno de uma necessidade social identificada.

Para empresas interessadas em ESG, esse tipo de parceria cria oportunidades de conexão entre compromissos sociais e ações voltadas à inclusão produtiva. 

O apoio pode alcançar públicos que têm participação expressiva na economia, mas ainda encontram barreiras de acesso a oportunidades.

Por que a tecnologia social importa para o futuro do empreendedorismo?

A tecnologia social importa porque o conhecimento é uma forma de ampliar oportunidades econômicas.

Quando metodologias são construídas com participação das comunidades e são adaptadas a diferentes territórios, o seu alcance ultrapassa uma ação isolada.

No Brasil, onde 27,9 milhões de pessoas estavam no microempreendedorismo em 2025, as iniciativas voltadas à inclusão produtiva tem uma dimensão econômica significativa.

E a Aliança Empreendedora atua justamente nessa conexão entre conhecimento, empreendedorismo e inclusão produtiva. 

Como a Aliança Empreendedora aplica a tecnologia social?

A tecnologia social está presente na atuação da Aliança Empreendedora por meio de conhecimentos, metodologias e iniciativas desenvolvidas para apoiar micro e pequenos empreendedores.

Desde 2005, atuamos com capacitações gratuitas, estudos, pesquisas e projetos em parcerias estratégicas com empresas e organizações. 

Nosso trabalho combina conhecimento sobre empreendedorismo com participação dos públicos envolvidos, tudo para ampliar acesso a oportunidades e apoiar relações mais justas.

Nossa pesquisa citada neste artigo, por exemplo, mostra como os dados podem orientar debates sobre inclusão produtiva.

Esse conhecimento ajuda a qualificar projetos destinados aos pequenos negócios. 

Afinal, compreender quem empreende, onde estão as principais barreiras e quais fatores estão associados à formalização permite criar iniciativas mais conectadas às necessidades desse público.

Conheça o trabalho da Aliança Empreendedora e apoie iniciativas que ampliam o acesso de microempreendedores a conhecimento e oportunidades.

Perguntas frequentes 

Qual é o conceito de tecnologia social?

Trata-se de uma técnica, metodologia, produto ou serviço desenvolvido com participação da comunidade para responder a uma questão social. Ela combina conhecimento técnico e saberes locais, buscando uma aplicação adequada às necessidades do público envolvido.

Qual a importância das tecnologias sociais?

Elas são importantes porque aproximam o conhecimento das necessidades de diferentes comunidades. No empreendedorismo, pode apoiar capacitações, pesquisas, ferramentas e iniciativas de inclusão produtiva, contribuindo para ampliar o acesso à informação e oportunidades econômicas.

Tecnologia social é uma metodologia?

Ela pode ser uma metodologia, mas o conceito é mais amplo. Ele também inclui produtos, serviços, técnicas e outras formas de conhecimento construídas com participação comunitária para responder a necessidades sociais e ampliar acesso, autonomia e oportunidades em diferentes contextos.

Quem pode desenvolver tecnologias sociais?

Tecnologias sociais podem ser desenvolvidas por organizações sociais, empresas, universidades, governos, coletivos e comunidades. O ponto central está na participação das pessoas envolvidas, na conexão com necessidades sociais e na possibilidade de aplicação do conhecimento em diferentes contextos.

Qual é a relação entre tecnologia social e inclusão produtiva?

A relação está na possibilidade de utilizar conhecimentos e metodologias para ampliar oportunidades econômicas de pessoas em situação de vulnerabilidade. Capacitação, acesso digital, assistência técnica e apoio à formalização podem contribuir para trajetórias produtivas mais sustentáveis.

 

Deixe um Comentário