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O empreendedorismo de base movimenta bilhões, emprega famílias inteiras e sustenta comunidades em que o mercado formal nunca chegou.

Mas ainda assim segue sendo ignorado nas grandes conversas sobre economia. 

Quem empreende na periferia, por exemplo, não aparece nos rankings, não acessa crédito com facilidade e raramente entra no radar das políticas públicas. 

E isso já foi comprovado, pois segundo a FGV, negócios periféricos têm receitas 21 vezes menores do que os de fora das periferias. 

Nada disso é por falta de força. É por falta de acesso. 

Entender esse cenário é o primeiro passo para mudar essa realidade e fortalecer quem já faz a economia acontecer na base.

O que é empreendedorismo de base?

Empreendedorismo de base é a criação e gestão de pequenos negócios por pessoas de baixa renda, geralmente em contextos periféricos ou com acesso limitado a recursos, com foco na autonomia financeira, independência econômica e melhoria da qualidade de vida.

Um exemplo comum é alguém que inicia um trabalho com a venda de marmitas no bairro, usando sua cozinha de casa e habilidades já existentes para gerar renda e, aos poucos, transforma essa iniciativa em um negócio sustentável.

Quem são os empreendedores de base no Brasil?

Empreendedores de base são pessoas de baixa renda que criam seus próprios negócios como forma de sobrevivência ou obtenção de renda e, em sua maioria, vivem em contextos periféricos e atuam na informalidade ou em estágios iniciais de formalização.

No Brasil, esse perfil é marcado principalmente por mulheres, mães chefe de família, pessoas negras e moradores de periferias. 

No dia a dia, esses empreendimentos tomam formas variadas, como venda de alimentos (marmitas, doces, salgados), prestação de serviços (beleza, reparos, limpeza), produção artesanal e comércio de roupas e acessórios, entre outros.

Na prática, são empreendedores que enfrentam barreiras estruturais, como acesso limitado a crédito, capacitação e redes de apoio. 

E o tamanho do desafio enfrentado por esses empreendedores já foi evidenciado em uma pesquisa do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV que revelou que negócios em comunidades periféricas têm, em média, 37 vezes menos capital e receitas 21 vezes menores do que os realizados fora das periferias.

Por que o empreendedorismo de base é importante para a economia e a sociedade?

O empreendedorismo de base é essencial porque gera renda, reduz desigualdades, fortalece economias locais e promove impacto social direto nas comunidades. A seguir, vale entender melhor esses impactos.

Geração de renda e autonomia

Este tipo de empreendedorismo é, muitas vezes, a principal fonte de renda de famílias inteiras. 

Desta forma, ele permite que pessoas criem suas próprias oportunidades, especialmente em contextos no qual o emprego formal é escasso. 

Segundo o GEM 2022, 37,5% dos empreendedores brasileiros iniciaram seus negócios por falta de alternativas no mercado de trabalho. 

Isso mostra como empreender, nestes casos, não é apenas escolha, mas necessidade e, ao mesmo tempo, caminho para autonomia financeira.

Redução de desigualdades

Um negócio que cresce na periferia circula renda dentro da própria comunidade, cria empregos locais e reduz a dependência de centros econômicos distantes. 

Esse movimento vai ao encontro com o que proprõe a ODS 10 — Redução das Desigualdades, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU:

  • reduzir as desigualdades dentro e entre os países por meio da inclusão econômica e social das populações mais vulneráveis.

Portanto, fortalecer o empreendedorismo de base vai além de uma ação social, é uma estratégia de desenvolvimento sustentável. 

Cada negócio apoiado é um passo na direção de uma sociedade mais justa e equilibrada.

Fortalecimento das economias locais

Quando um empreendedor de base prospera, o entorno também cresce. 

A renda gerada tende a ser gasta no próprio bairro, seja na padaria da esquina, no mercadinho ou no serviço do vizinho, logo, cria um ciclo virtuoso de aquecimento econômico local. 

Essa dinâmica é diferente das grandes empresas, cuja receita raramente retorna à comunidade onde opera. 

Impacto social nas comunidades

Além do impacto econômico, esses empreendedores geram transformação social

Isso porque eles atendem demandas reais da comunidade, criam soluções acessíveis e fortalecem vínculos locais.

Além do mais, muitas vezes, são lideranças que inspiram outras pessoas a empreender e buscar melhores condições de vida.

Infográfico destaca empreendedorismo de base, mostrando geração de renda, redução de desigualdades, fortalecimento local e impacto social positivo.

Como o empreendedorismo de base impulsiona a inclusão econômica no Brasil

O empreendedorismo de base tem um papel estratégico na inclusão econômica porque cria oportunidades de geração de renda para pessoas que, muitas vezes, enfrentam dificuldades para acessar o mercado de trabalho formal.

Esse cenário é analisado na Tese de Impacto para Inclusão Produtiva e Crescimento do PIB até 2030, estudo desenvolvido pela Aliança Empreendedora.

Nele, reunimos evidências sobre como a formalização, o acesso a oportunidades e o fortalecimento dos pequenos negócios contribuem para reduzir vulnerabilidades e impulsionar a economia brasileira.

A seguir, confira alguns dos principais dados e conclusões do estudo.

O empreendedorismo amplia oportunidades para quem vive em situação de vulnerabilidade

O estudo mostra que o empreendedorismo é uma das principais formas de inclusão econômica para milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade. 

Ao mesmo tempo, os dados evidenciam que ainda existem barreiras importantes para que esses negócios cresçam de forma sustentável.

  • Cerca de 27,9 milhões de brasileiros são microempreendedores.
  • 10,4 milhões estão inscritos no Cadastro Único (CadÚnico).
  • Aproximadamente 57% dos microempreendedores do CadÚnico ainda atuam na informalidade.
  • 7 em cada 10 vivem em situação de extrema pobreza.

Formalização fortalece os negócios e aumenta a renda

A formalização vai muito além da emissão de um CNPJ. Ela amplia o acesso a crédito, permite emitir notas fiscais, facilita a participação em novos mercados e aumenta a competitividade do negócio. 

O estudo mostra que microempreendedores formalizados alcançam renda média de aproximadamente R$ 6.500 por mês, enquanto os informais permanecem próximos de R$ 2.000. 

Além disso, a formalização está associada a um aumento médio de 9,5% na renda, o que evidencia como esse processo fortalece a sustentabilidade dos pequenos negócios.

A inclusão produtiva fortalece a economia brasileira

Os impactos da inclusão produtiva não se limitam aos empreendedores. Quando mais pequenos negócios conseguem crescer e se formalizar, toda a economia é beneficiada. 

Neste cenário, o estudo aponta que a formalização impulsiona a atividade econômica e pode gerar efeitos expressivos no Produto Interno Bruto (PIB). 

Em um cenário de aumento de 10 pontos percentuais na taxa de formalização, a projeção é de um acréscimo de até R$ 181 bilhões na economia brasileira até 2030. 

Isso demonstra que apoiar o empreendedorismo de base também é uma estratégia de desenvolvimento econômico nacional.

Inclusão produtiva depende de um ecossistema de apoio

Criar um negócio é apenas o primeiro passo. Para que ele se torne sustentável, é fundamental que o empreendedor tenha acesso a capacitação, crédito, tecnologia, conectividade e redes de apoio. 

Aqui, o estudo aponta que fatores como acesso à internet aumentam as chances de formalização, enquanto políticas de assistência técnica e inclusão produtiva contribuem para reduzir vulnerabilidades e ampliar oportunidades. 

Tudo isso reforça que fortalecer o empreendedorismo de base exige um ecossistema capaz de apoiar o empreendedor em todas as etapas do seu crescimento.

Como fortalecer negócios de base?

Fortalecer negócios de base passa por ampliar acesso a conhecimento, crédito, redes de apoio e tecnologia. 

Esses elementos ajudam o empreendedor a estruturar melhor seu negócio e crescer com mais segurança. A seguir, confira os principais caminhos para isso.

Capacitação e educação empreendedora

A falta de conhecimento em gestão, finanças e marketing é um dos principais obstáculos para quem empreende na base. 

Neste cenário, capacitar esses empreendedores significa dar ferramentas reais para que tomem melhores decisões, entendam seus números e consigam crescer com mais segurança. 

Um exemplo de empreendedorismo de base bem apoiado por capacitação é o Tamo Junto, primeira plataforma brasileira totalmente dedicada ao microempreendedor de baixa renda.

Essa plataforma oferece cursos online gratuitos com certificado, ferramentas de gestão e conteúdo pensado para a realidade de quem empreende com pouco. 

E a prova de que quando o acesso é facilitado, o engajamento acontece, são seus resultados só do ano de 2025:

  • + de 135.000 empreendedores impactados; 
  • 42.000 cadastros; 
  • 37.000 certificados emitidos; 
  • cerca de 63.000 certificados no total.

Acesso a crédito e microfinanças

Sem capital, nenhum negócio cresce. E o acesso a crédito é um dos maiores gargalos do empreendedorismo de base.

Isso porque bancos tradicionais exigem garantias que essa população não tem, e as taxas do mercado informal são proibitivas. 

Aqui, as microfinanças e o microcrédito produtivo orientado surgem como alternativas concretas, pois oferecem valores menores, condições adaptadas e acompanhamento do negócio. 

Mas neste contexto, a combinação de acesso a recurso com orientação é o que realmente move a agulha.

Redes de apoio e mentoria

Empreender sozinho é difícil. Empreender sem referências e sem uma rede de apoio é ainda mais. 

É por isso que a mentoria individual, feita por alguém que já viveu os desafios do mundo dos negócios, pode encurtar anos de tentativa e erro. 

Um exemplo de empreendedorismo de base fortalecido por essa lógica é o Guru de Negócios, programa que desde 2019 conecta micro e pequenos empreendedores a mentores voluntários de diferentes áreas, como finanças, marketing e gestão. 

De forma gratuita, o programa oferece até seis meses de acompanhamento personalizado, respeitando o tempo, a realidade e os desafios de cada negócio. 

Uso da tecnologia e da inteligência artificial

A tecnologia deixou de ser privilégio e passou a ser aliada dos pequenos negócios. 

E ignorar isso é deixar oportunidades na mesa. 

Ferramentas digitais de gestão, aplicativos de pagamento, redes sociais como canal de vendas e, mais recentemente, a inteligência artificial, abriram portas que antes estavam fechadas para quem empreende na base. 

Com a I.A, por exemplo, é possível criar descrições de produtos, responder clientes, planejar estoque e até montar estratégias de comunicação sem precisar contratar especialistas.

O desafio está no acesso e na alfabetização digital.

E é por isso que capacitar empreendedores de base no uso dessas ferramentas é tão urgente quanto ensinar gestão financeira, marketing digital, entre outros fatores.

Como a Aliança Empreendedora apoia o empreendedorismo de base

A Aliança Empreendedora acredita na potência do microempreendedor brasileiro e atuamos há mais de 20 anos fortalecendo negócios de base em todo o país.

Por meio de capacitação gratuita, pesquisas e projetos com empresas, promovemos inclusão produtiva e geração de renda. 

Por aqui, a nossa metodologia envolve sensibilização, capacitação, mentoria, acesso a capital e conexão com mercados. 

Entre nossas iniciativas para fazer tudo isso acontecer, destacam-se o Tamo Junto, que já impactou mais de 135 mil empreendedores e emitiu cerca de 63 mil certificados, e o Guru de Negócios, com 591 mentores cadastrados, 422 mentorias concluídas e 57% dos participantes relatando aumento de renda. 

No total, somamos 324 projetos realizados, 300 mil negócios apoiados e 133 parceiros, o que consolida o nosso papel como referência no fortalecimento do empreendedorismo de base.

Além do apoio direto aos empreendedores, nós também atuamos para fortalecer o ambiente em que esses negócios se desenvolvem. 

Um marco recente dessa atuação foi a participação ativa na atualização da antiga Resolução nº 33/2011, que deu origem à Resolução CNAS/MDS nº 234/2026. 

Ao longo do processo, contribuímos tecnicamente para ampliar o reconhecimento do empreendedorismo social, da geração de renda, da autonomia econômica e de outras formas de inclusão socioprodutiva no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). 

Essa incidência ajudou a aproximar as políticas públicas da realidade de milhões de brasileiros que empreendem na base, reforçando que a inclusão produtiva deve caminhar junto com a proteção social. 

Conheça os programas da Aliança Empreendedora e apoie quem transforma comunidades pelo empreendedorismo. Acesse agora e faça parte dessa rede.

Perguntas frequentes sobre empreendedorismo de base

Qual a diferença entre empreendedorismo de base e tradicional?

O empreendedorismo tradicional geralmente parte de capital inicial, planejamento e estrutura formal. O de base nasce da necessidade, com poucos recursos, em contextos de vulnerabilidade social, e tem como objetivo principal a geração de renda e sobrevivência.

O empreendedorismo de base é o mesmo que empreendedorismo social?

Não necessariamente. O empreendedorismo social tem como foco resolver problemas sociais por meio de um modelo de negócio. O de base pode ou não ter esse propósito — o que o define é o perfil de quem empreende e o contexto socioeconômico em que o negócio está inserido.

Quais são os maiores desafios do empreendedor de base no Brasil?

Os principais obstáculos são falta de acesso a crédito, ausência de capacitação em gestão, informalidade, pouco acesso à tecnologia e ausência de redes de apoio e mentoria. A combinação desses fatores limita o crescimento e aumenta o risco de fechamento prematuro do negócio.

Como organizações e empresas podem apoiar o empreendedorismo de base?

Por meio de parcerias estratégicas com organizações especializadas, investimento em programas de capacitação e mentoria, concessão de microcrédito, criação de cadeias de fornecimento inclusivas e advocacy por políticas públicas que reconheçam e fortaleçam o microempreendedor brasileiro.

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