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Educação empreendedora: uma saída para driblar o efeito econômico da pandemia sobre as mulheres

Educação empreendedora: uma saída para driblar o efeito econômico da pandemia sobre as mulheres

Linha fina, se necessário:  No mês das mulheres, parceria entre Aliança Empreendedora e Mastercard Center for Inclusive Growth celebra suporte a pequenos negócios

Impedida de trabalhar presencialmente em clínicas de estética, a farmacêutica paulista Simone Rodrigues (43) chegou ao fim de suas reservas financeiras poucos meses após o início da pandemia de COVID-19 no Brasil. Com boa parte do tempo dedicado aos cuidados da casa e da filha Isabel, ela precisou de apoio para mudar as estratégias de negócio e se lançar no mundo digital.

Graças a uma parceria com a prefeitura de São Caetano, em São Paulo, a Aliança Empreendedora e o Mastercard Center for Inclusive Growth puderam levar capacitação via WhatsApp para empreendedores da cidade, como Simone, que precisavam de apoio para vencer os obstáculos impostos pela pandemia sobre o mercado de trabalho e os pequenos negócios.

Para ajudar a enfrentar a crise, foram disponibilizados conteúdos sobre finanças, vendas online e inovação, durante os cinco dias consecutivos de curso, além de pequenos desafios para que os participantes praticassem o aprendizado. Ao final do programa, Simone foi reconhecida como destaque da turma, recebendo uma assessoria individual para o seu negócio. “O resultado é que estou com meu próprio site no ar desde dezembro, já com algum retorno”, relata a farmacêutica.

Apoio a mulheres empreendedoras

Simone não é a única a passar por essa situação. Em 2020, 50% dos negócios liderados por mulheres apresentaram rendimentos menores e 20% tiveram paralização completa das atividades, segundo uma pesquisa realizada entre setembro e outubro pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora. Sobrecarregadas com a conciliação do tempo entre família e trabalho, elas passaram a ser também as principais prejudicadas psicologicamente pelo isolamento social.

Para ajudar a reverter esse cenário, o programa segue vivo em 2021, com cursos para empreendedoras no mês das mulheres. A Mastercard tem apoiado pequenas e médias empresas em todo o mundo desde o início da pandemia, com ferramentas e recursos gratuitos. O Índice Mastercard de Mulheres Empreendedoras de 2020 revelou que mais de 50% das empresas lideradas por mulheres no Brasil, Argentina, Equador, Itália, Coreia do Sul, Rússia, Tailândia, Uruguai e Vietnã atuavam nos setores mais impactados pela pandemia, como atacado e varejo, serviços de hospedagem e alimentação.

“A Mastercard é uma empresa de tecnologia comprometida em liderar mudanças em nossa sociedade. Temos consciência de que um mundo melhor para as mulheres cria possibilidades ilimitadas para todos e, para isso, continuamos com um trabalho diário de impulsionar nossas conexões e parceiros em prol dessa mudança”, afirma Sarah Buchwitz, vice-presidente de Marketing e Comunicação da Mastercard Brasil.

Para apoiá-las neste momento de crise, a companhia anunciou que irá ajudar 25 milhões de mulheres empresárias com os recursos necessários para expandir suas empresas, como parte de seu compromisso de aumentar a inclusão digital e econômica para um bilhão de pessoas até 2025.

WhatsApp, um caminho possível

Com a inevitabilidade do distanciamento social, a saída mais prática foi o contato por meio de aplicativos de mensagens. Em 2019, o WhatsApp foi a ferramenta de comunicação mais utilizada no país, de acordo com a empresa de monitoramento App Anie, alcançando mais de 120 milhões de brasileiros. O canal também tem sido cotado no mundo dos negócios para vendas online: em 2019, segundo dados da Cetic.br, 57% das empresas venderam pela internet, a maior parte delas utilizando WhatsApp, Skype ou chat do Facebook (42%).

Uma sondagem inicial, realizada com microempreendedores apoiados pela Aliança Empreendedora, identificou o aplicativo como o principal meio de contato com clientes durante a pandemia, presente em 60% dos estabelecimentos.

Com grande parte da população vivendo em isolamento social em 2020, as atividades remotas foram fortalecidas e o WhatsApp foi escolhido como  ferramenta para as capacitações do projeto: foram 1175 inscritos e 740 participantes certificados,  que concluíram 100% das aulas e desafios propostos. Nove turmas foram realizadas, sendo sete delas sobre gestão e duas voltadas para imigrantes sobre como empreender no Brasil.

“O programa que tinha sido pensado para o presencial, foi adaptado para o online e usando ferramentas que o empreendedor já tinha o hábito de utilizar e não consumia muitos dados, como o WhatsApp por exemplo. O conteúdo também foi modificado considerando temas fundamentais para que pequenos negócios se organizem nesse novo contexto, ainda mantendo um espaço seguro para troca de informações e experiências”, comenta Camila Reis, coordenadora de projetos da Aliança Empreendedora.

Para Simone Rodrigues, que dividiu os estudos com o aleitamento da filha, o contato por WhatsApp ofereceu flexibilidade nos horários de acesso aos conteúdos e qualidade de acompanhamento, já que uma vez ao dia, o grupo era aberto para interação e tirar dúvidas com uma especialista da Aliança Empreendedora.

Conteúdo gratuito e de fácil acesso

A parceria entre a Aliança Empreendedora e Mastercard Center for Inclusive Growth também trouxe investimentos na ampliação do acesso à plataforma Tamo Junto, desenvolvida pela Aliança Empreendedora para oferecer cursos gratuitos e conteúdos sobre competências empreendedoras, gestão e rede de contatos. Os cursos ofertados pelo site na área de saúde e educação financeira, crédito ou como enfrentar a crise tiveram mais de 18 mil inscritos, certificando 1216 pessoas até o momento.

Por meio do programa, foi criado o curso “Desvendando Crédito”, totalmente voltado para empreendedores que precisam acessar microcrédito, uma estratégia que pode ser usada para organização financeira, investimento ou recuperação das empresas na crise. Durante a formação, os participantes entram em contato com histórias de empreendedores que tiveram dúvidas sobre o melhor momento para acessar crédito e preparar o próprio negócio para esse investimento. Enquanto isso, cada caso é avaliado com auxílio de um agente de crédito.

Educação empreendedora para imigrantes e refugiados

Fazem 18 anos que Jaquelin Gonsalez (37) atravessou a fronteira do Brasil na busca por uma vida melhor para sua família. Mãe solo e vítima de violência doméstica, a boliviana perdeu as contas de quantas horas por dia passou em frente às máquinas de costura até se reerguer e garantir o próprio sustento. Foi pelo rádio, em 2019, que escutou uma notícia que mudaria sua vida: foi convidada para participar de uma capacitação do programa Tecendo Sonhos, um dos pilares da parceria entre a Aliança Empreendedora e o MasterCard Center For Inclusive Growth. O programa é voltado para a promoção de relações dignas de trabalho para imigrantes que trabalham na confecção do vestuário.

Para a costureira, que sonhava em estudar e aprimorar o português, o programa acabou se tornando um suporte para a gestão e ampliação do próprio negócio. “Recebemos um curso gratuito que ajudou a identificar meus talentos e traçar meu caminho”, conta. Hoje, com uma melhora na qualidade de vida, ela sonha em investir em suas criações e se tornar estilista.

Em 2020, as ações do programa também caminharam para o mundo virtual, com conteúdos inéditos sobre empreendedorismo e educação financeira compartilhados pelo WhatsApp e plataformas ao vivo do Google Meet. As discussões beneficiaram 1.628 imigrantes bolivianos, chilenos e peruanos, além de quase 200 venezuelanos refugiados.

Relações mais justas na cadeia têxtil

A adesão do público latino-americano ao Tecendo Sonhos passa a ser uma oportunidade de construir relações mais justas e responsáveis na cadeia têxtil. “Estamos formando a Rede Costurando Sonhos, com 24 oficinas de costureiras para melhorar nossas condições de trabalho”, diz Jaquelin, que participa há quase dois anos do projeto.

Em processo de formalização e composto majoritariamente por mulheres bolivianas, o grupo quer agregar valor nos negócios e compartilhar oportunidades, ampliando canais de vendas e compras coletivas, além de evitar a desvalorização da mão de obra em tempos de pandemia. Em 2021, a rede recebe também  o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A troca de informações de qualidade entre o público-alvo também é estimulada pela formação online de representantes de rádios comunitárias, que garantem a promoção dos direitos humanos e da diversidade. Ao todo, 12 veículos de comunicação comunitária receberam capacitação em gestão e inclusão financeira em 2020.

As parcerias construídas para alavancar o programa têm mostrado que tecer não se trata apenas de um ofício, mas de uma iniciativa que desata nós e passa a ser o fio condutor de uma nova vida para muitos migrantes e refugiados no Brasil, com sua atuação concentrada em São Paulo desde 2014, e mais recentemente, em Roraima e no Agreste de Pernambuco – segundo maior polo da indústria têxtil no Brasil.

Apoio para transformar vidas 

Apesar da alta taxa de empreendedoras em estágio inicial na América latina, grande parte não consegue ultrapassar microempresas, focadas localmente. Isso significa que, para acolhê-las em suas jornadas de negócio, é preciso levar em consideração condições socioeconômicas particulares e fatores de gênero. “Além da maternidade, o maior desafio para mulheres empreendedoras é a falta de apoio”, declara Simone.

O trabalho conjunto pode impulsionar essa transformação. Ao longo do projeto já foram firmadas doze parcerias, boa parte delas com o poder público, seja para levar oportunidades para microempreendedores que precisavam de auxílio, ou para elaborar conteúdo para esse público.

A cofundadora e diretora executiva da Aliança Empreendedora, Lina Maria Useche Jaramillo, explica como o impacto social pode ser ampliado quando se conta com a colaboração de diferentes atores e organizações do ecossistema, como a MasterCard. “Trabalhamos com parceiros que acreditam no empreendedorismo como ferramenta de mudança social. Nosso histórico mostra que atuar em rede nos permite ampliar oportunidades de apoio ao microempreendedor, assim como o acesso de quem mais precisa a ações de enfrentamento à crise”.

O contato com a Mastercard Brasil levou a Aliança Empreendedora a assinar um termo de cooperação com o governo do Distrito Federal, por meio da Secretaria de Estado de Empreendedorismo, que prevê uma turma de WhatsApp para 250 mulheres no curso Empreenda em Tempos de Crise, além de cursos de gestão voltados especialmente para esse público, na plataforma Tamo Junto. O conteúdo do site também será disponibilizado para 12.000 empreendedoras do programa Empreenda Mulher durante seis meses, uma parceria firmada com o governo do Estado de São Paulo.

Estratégias de formação também são peças-chave para a ampliação do público feminino nos programas. Os dados apresentados pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora confirmam que, embora a digitalização da comunicação para divulgar produtos e serviços tenha sido uma das consequências mais fortes para as mulheres durante a pandemia, apenas 34% se sentem muito confiantes com o uso desses meios, contra 51% dos homens.

É por isso que o olhar mais acolhedor ao processo de troca e aprendizagem, presente na parceria entre a Aliança e MasterCard Brasil, tem desenvolvido potencial cada vez maior para transformar a vida de muitas empreendedoras: flexibilidade de horários, plataformas de fácil acesso, conteúdo gratuito e destaque para especialistas mulheres ministrando os cursos, para que participantes se vejam representadas. “Às vezes, só o que precisamos é desse incentivo, algo que nos contagie”, afirma Jaquelin.

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