Marca idealizada por Ana Elizabeth Oliveira Lima e Luana Carvalho em Brasília (DF) conquista expansão com velas, sabonetes e itens de bem-estar
Com um olhar focado na sustentabilidade, a Tom de Ébano cria produtos naturais para a casa, o corpo e o bem-estar. O que começou de maneira despretensiosa em 2021 se consolidou como um negócio próspero em Brasília (DF), a partir da iniciativa de Ana Elizabeth Oliveira Lima e Luana Carvalho. “Somos duas mulheres negras e LGBTQIA+, e a marca surgiu em meio à pandemia como uma alternativa de geração de renda, mas logo se tornou um projeto de impacto social e ambiental”, afirma o texto no site da empresa.
Formada em Biomedicina, Ana estava trabalhando como empregada doméstica, enquanto Luana era bolsista na Universidade de Brasília, onde cursa Serviço Social. Durante o período de auxílios emergenciais, surgiu a ideia de produzir sabonetes artesanais, inicialmente vendidos para amigos. A boa aceitação incentivou o investimento em cursos de cosméticos naturais e a ampliação do catálogo, sempre com pesquisas aprofundadas sobre matérias-primas e processos para criar experiências sensoriais.
A produção utiliza óleos e manteigas vegetais, como azeite de oliva, óleo de semente de uva, coco e babaçu, além de argilas, ervas e extratos naturais. A marca também oferece velas aromáticas feitas com cera vegetal, home sprays e produtos capilares sólidos, como shampoo e condicionador. “Não usamos derivados de petróleo, sulfatos e petrolatos. O sabonete, por exemplo, fazemos pelo método cold process, que é mais natural. E nas velas, que são o carro-chefe, usamos cera de coco e não parafina”, explica Ana.
Atualmente, a Tom de Ébano mantém presença fixa na Feira da Ponta Norte, uma feira agroecológica que acontece todo sábado. Paralelamente, as empreendedoras buscam fortalecer a presença digital e intensificar o uso de ingredientes do Cerrado, como pequi e buriti, valorizando o bioma regional. Entre os planos estão a regularização sanitária de cosméticos artesanais para ampliar a distribuição em locais de hospedagem, parcerias com mulheres da agricultura familiar e, no futuro, realizar vendas em outros países.
Expansão e impacto
Em 2025, a marca participou do Ganhaê, Mulher – projeto gratuito que apoia o empreendedorismo feminino brasileiro. A iniciativa, realizada pelo Mercado Pago em parceria com a Aliança Empreendedora e a Barkus, foi lançada em 2022. O intuito é promover educação de forma descomplicada para que elas possam crescer, organizar melhor a gestão e conquistar mais autonomia financeira. Outro foco é conectar mulheres, incentivar a troca de experiências e o apoio entre elas.
O programa começou com uma formação via WhatsApp e seguiu para a aceleração conduzida pela Aliança. Entre as 100 mulheres acompanhadas nessa fase, 10 foram selecionadas como Empreendedoras Destaque – e Ana está entre elas. Recebeu R$ 3 mil de investimento e participou de um evento presencial em São Paulo. Um aprendizado central foi o mapeamento de clientes. A marca passou a registrar informações sobre frequência de compra e perfil das pessoas consumidoras. “Também fizemos uma persona, que é uma mulher de 38 anos, servidora pública, que busca produtos veganos”.
Com o recurso financeiro, foi possível comprar uma panela elétrica de maior capacidade para a produção de velas, o que permitiu ampliar a escala, reduzir o tempo de preparo e viabilizar oportunidades como ministrar oficinas. “A gente usava uma panela de um litro e precisava ficar medindo a temperatura. Agora, temos uma de 10 litros e ela mantém automaticamente a temperatura necessária. É mágico”, diz Ana. Outra mudança foi criar novas embalagens das velas, para gerar destaque e agregar valor.
Além dos ganhos operacionais, ela destaca a importância de conhecer outras empreendedoras e compartilhar desafios em comum. Com processos mais organizados, aumento do ticket médio nas vendas e crescimento contínuo de 5% ao mês em 2025, a Tom de Ébano segue se consolidando com identidade e propósito bem definidos. “É uma satisfação pessoal levar produtos tão ricos. O nosso diferencial é ter essa consciência de sustentabilidade e valorizar os nossos, o que é local”, conclui Ana.