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Os três vencedores do 1º Prêmio Aliança de Empreendedorismo Comunitário receberam prêmio e reconhecimento no evento

Os três vencedores do 1º Prêmio Aliança de Empreendedorismo Comunitário receberam prêmio e reconhecimento no evento “Fazer para Mudar”

Os três vencedores do 1º Prêmio Aliança de Empreendedorismo Comunitário receberam prêmio e reconhecimento no evento “Fazer para Mudar” sobre responsabilidade social corporativa, realizado no Cietep, na última terça-feira dia 24.
O prêmio foi lançado no início de abril, teve o patrocínio master da Itaipu Binacional e do Instituto Camargo Corrêa, e contou com duas fases para a seleção dos inscritos, na primeira o objetivo era conhecer o empreendimento e o empreendedor, e na segunda, saber como pretendiam usar o dinheiro caso ganhassem.

Conheça as histórias inspiradoras dos vencedores, escritas por Sonia Stabile:

1º Lugar – Gerson Pereira – IWP Internet de Curitiba – PR

Co-fundador e diretor executivo da Aliança, Rodrigo Brito, e o vencedor Gerson Pereira.

Gerson Pereira já tem destino certo para o dinheiro que vai receber como vencedor do 1º Prêmio Aliança de Empreendedorismo Comunitário: os sete mil reais vão ampliar o alcance da sua empresa, a Internet Wireless Popular (IWP).   Graças a esse curitibano simpático de 34 anos, moradores de bairros afastados como o Tatuquara e Umbará hoje estão conectados à internet. Gerson e seu sócio, Alex Bozza, de 28 anos, democratizaram o acesso compartilhando com seus vizinhos a banda larga que as grandes operadoras achavam não valer a pena levar até lá. Hoje eles atendem quase 300 clientes e a IWP está partindo para a instação de mais uma torre – já possui seis – para ampliar o alcance do sinal de fibra ótica que conseguiu na Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel).

“Acho que nós conseguimos acabar com essa história de que quem é pobre e mora longe tem que esperar um tempão prá ter internet rápida e de boa qualidade”, resume Alex, que tem uma lan-house no Tatuquara e realmente precisava de um acesso melhor. “Reinvestimos tudo que ganhamos até agora e é isso que também vamos fazer com o dinheiro do prêmio”, conta Gerson. A prosperidade nos negócios, de fato, não mudou muito o dia-a-dia de Gerson, que continua trabalhando como consultor na área de desenvolvimento de sistemas. “O que mudou foi minha visão do futuro”, explica. “Hoje eu tenho as rédeas da minha vida e, quando puder, vou trabalhar só na IWP, por causa dos desafios e porque não há sensação melhor do que essa, de trabalhar ajudando a comunidade onde a gente vive”.

 

2º Lugar – Francisco Gilmar Martins – Associação dos Artesões de Mucambo – CE

Alexandra Meira, Diretora de Projetos da Aliança Empreendedora e o 2º colocado Francisco Gilmar Martins

Todo mundo diz que o Brasil não tem super-heróis, mas a Aliança Empreendedora conhece vários e um deles, com certeza, é Francisco Gilmar Martins de Souza, um cearense de 30 anos nascido em Mucambo cuja última de várias façanhas foi conseguir o segundo lugar no 1º Prêmio Aliança de Empreendedorismo Cumunitário, patrocinado pelo Instituto Camargo Corrêa e Itaipu Binacional e entregue na terça-feira, dia 24 de maio, em cerimônia da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP).

Francisco fala bem e, quando agradeceu o prêmio, arrancou risadas e encantou a platéia de empresários convidados para o evento “Fazer Para Mudar – Novas perspectivas para a responsabilidade social corporativa através do apoio ao empreendedorismo comunitário”.

Mas, afinal, o que esse cearense baixinho tanto fez para ser tão aplaudido e comparado a um super-herói?

Bom, primeiro ele transformou o trabalho de artesanato que era o sustento da sua família desde o tempo dos avós e bisavós em um negócio organizado e rentável. Depois, ele passou a ensinar o que sabia para gerar mais empregos na cidade onde mora e em seguida em todo o Ceará. Mais tarde, passou a fazer isso fora do Brasil, ministrando cursos em Cabo Verde, na África.

“Desde criança eu via minha família trabalhando com a tecelagem e meu sonho era ter um dia meu próprio negócio”, lembra Francisco. Ele conta que, desde a adolescência, participava de cursos realizados pelo Sebrae na única fábrica de tecelagem que tinha em Mocambo e que fabricava apenas redes de três panos. “Com 17 anos de idade, comecei a trabalhar nessa fábrica como enchedor de espula, mas ganhava pouco e logo vi que precisava fazer alguma coisa para mudar minha vida se não quisesse tomar o caminho de tantos nordestinos, que é arrumar uma malinha e pegar o primeiro ônibus para São Paulo.”

Francisco foi ao sítio do avô, pegou algumas palhas de bananeira e taliscas de coqueiro e pediu à mãe que colocasse aquilo no tear, de modo a criar um tipo de jogo americano. “Assim foram feitas as minhas duas primeiras peças artesanais em fibras naturais, que meu pai levou para o Centro de Artesanato do Ceará, o Ceart.”

Dali em diante as coisas foram acontecendo. A primeira encomenda, de 300 peças feitas de palha de babaneira e taliscas de coqueiro para entrega em 30 dias. Em seguida, ele começou a treinar artesãs para fabricar os produtos e hoje, em Mocambo, são mais de 30 pessoas produzindo cerca de 25 modelos de jogos americanos e tapetes de fibras naturais. Mas esse trabalho também foi multiplicado com os cursos que Francisco fez pelo Ceará e hoje mais de quinze cidades estão fazendo artesanato de boa qualidade de modo rentável.

“Nossa única fonte de renda era a tecelagem e a única saída, para quem queria progredir, era a rodoviária”, diz Francisco. “Agora, vejo a comunidade explorando uma nova fonte de trabalho e renda, ao mesmo tempo em que não deixa a nossa cultura morrer.”

 

3º Lugar – Marilandia de Santana Luna – FASSO Artesanatos de Glória do Goitá – PE

Bruno Volpi, Assistente de Parcerias da Aliança Empreendedora e Marilandia de Santana Luna.

Marilandia de Santana Luna é uma artista. Ela pinta camisetas belíssimas desenhadas pela sócia, Jeruza Souza, na cidade pernambucana de Glória do Goitá, a 60 km de Recife. O trabalho que elas fazem, mais aquilo que ele representa para a comunidade onde vivem, deu a Marilândia o terceiro lugar no 1º Prêmio Aliança de Empreendedorismo Comunitário.

“Mais importante que o dinheiro que ganhamos é a possibilidade de divulgar nosso trabalho e mostrar o que pretendemos com ele”, explica Marilandia, cujo sonho é ver seu negócio crescer para empregar mais gente e remunerar melhor as pessoas que moram por ali. “Nossa cidade é pobre em opções de trabalho e rica em cultura, mas se não fizermos nada a nossa história vai se perder”, diz. As camisetas de Marilandia e Jeruza estampam com cores ricas e imagens vibrantes um pouco dessa história

Morena bonita de apenas 25 anos, Marilandia já mostra preocupação com a idade porque acha que o tempo está passando rápido e as coisas acontecem muito devagar. Pura ansiedade. É só listar o que ela conseguiu fazer em tão pouco tempo de vida para ver que não foi pouca coisa.

Primeiro, venceu uma história familiar difícil. Terceira de quatro irmãs, filha de um agricultor e de uma costureira, Marilandia sofreu muito com as crises depressivas da mãe e precisou desenvolver uma autonomia precoce.
Aos 15 anos, conheceu o Serviço de Tecnologia Alternativa, o SERTA, e participou de uma seleção para tornar-se  Agente de Desenvolvimento da Arte e Cultura (ADAC). “Essa formação me proporcionou uma visão mais ampla em relação a meus objetivos e a realidade da minha localidade, principalmente em relação à nossa cultura, que é muito rica, mas estava sendo esquecida.”

Com a bolsa de 70 reais que recebeu durante a formação, Marilandia começou a pensar em montar seu negócio. “Solicitamos um empréstimo de 300 reais para compra de pincéis e tintas e 19 camisetas”, lembra. “Vendemos as 19 e compramos outras, que já estavam encomendadas.”

Naquela época, Marilandia tinha 17 anos e estava terminando o 2º grau.  No ano seguinte, conseguiu uma bolsa de estudos PROUNI e passou a pegar a estrada todos os dias para ir à faculdade. Conseguiu superar a dificuldade da distância e muitas outras, que foram surgindo entre ela e o diploma, e concluiu no fim do ano passado o curso de Administração e Marketing.

Além de realizar esse sonho, que parecia impossível, Marilândia casou, teve a filha Lís, uma menina de 5 anos, e continua achando que o tempo voa e ela ainda não fez nada. É ou não é pura ansiedade?

Saiba mais sobre a IWP Internet: http://iwpinternet.com.br/
Saiba mais sobre a FASSO Artesanatos: http://www.fassoartesanatos.com.br/

 


 

 

 

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