Estudo mostra que a sustentabilidade ambiental é a principal motivação das empreendedoras do setor, mas desafios como informalidade e geração de renda ainda persistem
A moda circular tem ganhado cada vez mais espaço no Brasil. Para compreender melhor esse cenário e apoiar o fortalecimento do setor, a Aliança Empreendedora, por meio do Programa Moda Justa e Sustentável, realizou a pesquisa inédita “Retrato dos Brechós e Bazares no Brasil 2025”, em parceria com a Renata Abranches Branding.
Lançado durante a Semana Fashion Revolution Brasil 2026, o estudo apresenta um panorama sobre quem são as empreendedoras que atuam com brechós e bazares, quais são suas motivações, desafios e perspectivas de crescimento.
Os resultados mostram que o perfil predominante desse ecossistema é formado por mulheres negras: 98% das pessoas entrevistadas são mulheres e 65% se autodeclaram negras. Mais do que uma alternativa de geração de renda, os brechós se consolidam como espaços de promoção da economia circular e de transformação social.
Um dos dados que mais chama atenção é que a sustentabilidade ambiental aparece como a principal motivação para empreender no setor, sendo apontada por 72% das participantes. O resultado desafia a percepção de que o empreendedorismo de base nasce exclusivamente da necessidade financeira e evidencia o compromisso dessas empreendedoras com modelos de consumo mais conscientes.
Ao mesmo tempo, a pesquisa revela obstáculos importantes para a consolidação desses negócios. Mais da metade das entrevistadas (53%) faturam até um salário mínimo por mês e 50% afirmam que o brechó ainda não é capaz de sustentar sozinho a família.
Empreendedoras que movem a economia circular
Os dados reforçam o papel dos brechós como ferramentas de inclusão produtiva e geração de oportunidades. No entanto, muitas empreendedoras ainda enfrentam desafios relacionados ao acesso a crédito, capacitação em gestão e fortalecimento de redes de apoio.
Segundo Cristina Chiarastello, líder de projetos do Programa Moda Justa e Sustentável da Aliança Empreendedora, compreender a realidade dessas mulheres é fundamental para construir soluções efetivas.
“O estudo confirma a importância dos brechós para a inclusão produtiva e mostra a necessidade de ampliar o acesso dessas empreendedoras a ferramentas de gestão, mercado e desenvolvimento de negócios. Nosso objetivo é contribuir para que a moda circular gere não apenas impacto ambiental positivo, mas também autonomia financeira e melhores condições de vida para essas famílias e o ecossistema ao seu entorno”, destaca.
Para Marina de Luca, coordenadora de Mobilização do Instituto Fashion Revolution, fortalecer esse ecossistema significa reconhecer quem já está promovendo mudanças concretas no setor da moda.
“As empreendedoras de brechós e bazares desempenham um papel fundamental na construção de modelos de consumo mais conscientes, ampliando o acesso à moda e gerando renda em suas comunidades. Dar visibilidade a essas iniciativas é essencial para fortalecer o setor e impulsionar transformações mais amplas”, afirma.
Informalidade ainda é um desafio
Apesar do crescimento do mercado de segunda mão no Brasil e no mundo, a informalidade continua sendo uma característica marcante do setor. A pesquisa mostra que 61% dos negócios ainda não possuem CNPJ.
Entre as empreendedoras formalizadas, o modelo de Microempreendedor Individual (MEI) é o mais adotado, representando 89% dos registros.
A informalidade limita o acesso a crédito, programas de apoio e outras oportunidades que podem contribuir para o crescimento dos negócios, evidenciando a importância de ações voltadas à formalização e ao fortalecimento da gestão.
Tecnologia como aliada do crescimento
O levantamento também mostra que as empreendedoras já incorporam ferramentas digitais em suas operações. WhatsApp e Instagram são utilizados por 71% das entrevistadas como principais canais de venda, enquanto o Pix se consolidou como uma das formas mais utilizadas para recebimentos e organização do fluxo financeiro.
Apesar desse avanço tecnológico, a realidade de muitas empreendedoras ainda é marcada pela sobrecarga de trabalho. Entre as participantes da pesquisa, 64% são mães e 73% administram seus negócios sozinhas, acumulando atividades como curadoria de peças, vendas, atendimento, logística e produção de conteúdo para redes sociais.
A dedicação é intensa: quase metade das entrevistadas (47%) mantém o negócio ativo entre seis e sete dias por semana.
Conhecimento para fortalecer os negócios
Os resultados da pesquisa serviram de base para a criação do curso online e gratuito “Meu Brechó Lucrativo”, desenvolvido pelo Programa Moda Justa e Sustentável com apoio do Instituto SYN para apoiar empreendedoras do segmento na gestão e crescimento de seus negócios.
A iniciativa busca oferecer ferramentas práticas para que brechós e bazares possam ampliar sua sustentabilidade financeira, fortalecer sua presença no mercado e gerar ainda mais impacto positivo para pessoas e para o meio ambiente.
Quer conhecer todos os resultados? Acesse a pesquisa completa aqui.