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Matéria do jornal “O Globo”, fala de ‘crowdfunding’ no Brasil, e cita o Portal Impulso

 

Modelo de financiamento pela web, ‘crowdfunding’ avança no Brasil. Mas há barreiras

RIO – Enquanto lá fora o chamado financiamento colaborativo pela internet se firma como uma alternativa viável aos fundos de capital e a outros instrumentos de crédito que viabilizam investimentos, no Brasil as iniciativas de crowdfunding avançam a passos lentos, ainda concentradas em projetos artísticos, e escorregam na insegurança jurídica, causada pela falta de uma legislação específica. Por causa das barreiras, somente agora projetos empreendedores começam a atrair recursos pelas plataformas verde-amarelas.

Inspirado em experiências estrangeiras, o modelo de arrecadação apareceu no ano passado no Brasil. Atualmente, há 12 sites funcionando e diversos outros recém-criados ou prestes a estrear. Ao todo, atraíram mais de R$ 600 mil em investimentos dos bolsos de 3.500 internautas. O valor – pequeno se comparado aos US$ 35 milhões arrecadados por um único site nos Estados Unidos – deve crescer, alavancado pelo sucesso do modelo nas redes sociais.

Levantamento feito pelo GLOBO nos nove principais sites de crowdfunding do Brasil revela que 67,77% do total investido foi para projetos artísticos, como a produção de filmes e de livros. Os projetos de empreendedorismo, seja para criação de empresas ou de produtos inovadores, ficaram com fatia de 28,83%. Iniciativas de cunho social levaram 3,40% dos recursos.

A concentração em projetos de arte é mais acentuada se for considerado o site Queremos, hors-concours que arrecadou sozinho mais de R$ 400 mil para a realização de seis shows internacionais no país.

Os nove sites pesquisados obtiveram, juntos, R$ 164.182, ou 6,75% dos R$ 2.432.425 que desejam atrair. Dos 118 projetos postados, 11 foram viabilizados, mas 12 fracassaram por não atingirem a meta e 95 estão em aberto.

No crowdfunding – do inglês crowd, multidão, e funding, financiamento -, quem busca investimento para alguma iniciativa publica o projeto em um site, estabelecendo quanto quer arrecadar. Os internautas que gostarem da ideia podem, então, colaborar financeiramente. Se a meta for atingida, quem investiu ganha compensações, desde ingressos para o show financiado, por exemplo, até ações da empresa em questão. O site fica com uma fatia do capital repassado, geralmente 5%. Caso o projeto não atinja a meta de arrecadação em determinado tempo, o dinheiro dos que apostaram é devolvido.

O formato ganhou destaque mundial com o site americano Kickstarter.com, lançado em 2009. A página já atraiu mais de US$ 35 milhões, aplicados por 400 mil pessoas em 14 mil projetos. A plataforma também começou focada em projetos artísticos, mas, como mostrou a edição de março da revista “Wired”, tornou-se um “laboratório para protótipos ousados e produtos engenhosos”. Ou seja, uma incubadora de empreendedorismo e inovação.

O exemplo mais citado é o do designer Scott Wilson, ex-gerente criativo da Nike. Ele pediu pelo Kickstarter US$ 15 mil para fabricar um relógio de pulso com o iPod nano, mas acabou recebendo quase US$ 942 mil de 13.512 internautas.

Logo após a crise global de 2008, muitos fundos de capital de risco quebraram. Foi então que a alternativa da cauda longa do investimento on-line se tornou atraente. Surgiram sites de crowdfunding para capitalizar start-ups (empresas iniciantes), como o Profounders e o GrowVc. Seus investidores ganham participação sobre os lucros das companhias.

‘O ônus do pioneirismo’

No Brasil, porém, o financiamento de produtos ainda não se consolidou, e a capitalização de empresas inexiste. Felipe Matos, gerente de novos negócios do Instituto Inovação, posterga há meses, por questões jurídicas, a estreia do site de crowdfunding para start-ups tecnológicas LoveMoney.

– A legislação de equity (participação em empresas que não abriram capital) cria um problema logístico, como a necessidade de contratos assinados por cada investidor, e isso é uma dificuldade – disse Matos. – Nosso enquadramento jurídico também é incerto. A plataforma pode ser enquadrada como meio de investimento financeiro, o que só pode ser feito por instituição financeira.

Para o coordenador jurídico da Câmara de Comércio Eletrônico, o advogado Leonardo Palhares, esse é o “ônus do pioneirismo”:

– O crowdfunding sofre hoje do mesmo problema que aflige qualquer projeto inovador. Há ausência de legislação a respeito e dificuldade de enquadramento jurídico, pois o direito tem um outro tempo de reação. A perspectiva de mudança depende da sedimentação do negócio.

O site de crowdfunding para microempreendedor Kiva.org não conseguiu entrar no Brasil porque, pela lei, o capital doado não pode sair do país. Inspirado nele, o Impulso.org.br teve de transformar os empréstimos dos internautas em doações, para respeitar a lei. Apesar das restrições, já arrecadou quase R$ 3 mil para microempreendedores:

– A legislação ainda protege muito os bancos – afirmou Lina Useche, co-fundadora do site, para quem a concentração do crowdfunding em projetos culturais vem mudando aos poucos.

Dona de uma microfábrica de velas decorativas em Curitiba, Lucinéia Cardoso, de 32 anos, conseguiu empréstimo de R$ 700 pelo Impulso.org para comprar fôrmas e quadruplicou sua produção:

– Agora penso em pedir, pelo site, crédito para alugar um galpão.

Outro dos pouquíssimos projetos empreendedores inteiramente financiados pelo crowdfunding brasileiro, o site de e-commerce de design Rabiscaria surpreendeu seu criador Carlos Filho ao angariar mais de R$ 23 mil pelo Catarse.me em 45 dias. A página estreia este mês, e o empreendedor planeja capitalizar mais três projetos pelo Catarse, que concentra dois terços do capital movimentado por aqui.

– O crowdfunding brasileiro ainda está concentrado, mas certamente haverá uma expansão para projetos mais ambiciosos. Já há iniciativas até para financiar um time inteiro de futebol por meio dele, como fez lá fora o site MyFootballClub – disse Diego Reeberg, do Catarse e editor do blog Crowdfunding Brasil.

– Em outros países, grandes empresas já buscam capital por meio de crowdfunding, em vez de recorrer a bancos. Acho que é o caminho – disse Guilherme Brotto, um dos responsáveis pelo Daily Crowdsource, fórum internacional sobre o tema.

Se o empreendedorismo ainda encontra pouco suporte, as causas sociais encontram quase nenhum. Há apenas um site voltado para elas, o Senso Incomum. Lançado há poucos meses, arrecadou pouco mais de R$ 700 e financiou um dos oito projetos que publicou. Único do Rio, o projeto Rota 5K do Futuro, de atletismo para crianças do Chapéu Mangueira, quer arrecadar R$ 25.625 para compra de uniformes, mas até agora nada.

– Nunca tinha ouvido falar do site, mas um primo me apresentou e eu topei. É mais uma forma de divulgar o projeto. Já pensou se, pelo Facebook, um empresário achar bacana e resolver financiar a gente? – disse Bruno Njaime, criador do Rota 5K.

Fonte: Jornal “O Globo” – http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2011/05/08/modelo-de-financiamento-pela-web-crowdfunding-avanca-no-brasil-mas-ha-barreiras-924412343.asp#ixzz1M9dl9CNm – © 1996 – 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

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