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Aliança Empreendedora e Facebook promovem iniciativa sobre empreendedorismo e diversidade

Aliança Empreendedora e Facebook promovem iniciativa sobre empreendedorismo e diversidade

Em entrevista ao News AE, Daniel Paz, gerente de marketing e empreendedorismo do Facebook Brasil, destacou a importância de uma atuação conjunta para incentivar o microempreendedorismo LGBTI.

Segundo a Empreendedorismo no Brasil, pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Brasil alcançou o índice de 38% quando o assunto é Taxa de Empreendedorismo Total (TTE). Isso significa que 52 milhões de brasileiros têm um negócio próprio. Nesse meio, estão inseridos os empreendedores LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais, Travestis e Intergênero), que encaram mais desafios na hora de empreender.

Com o objetivo de discutir as oportunidades e dificuldades que essa comunidade enfrenta para abrir e conduzir o próprio negócio, a Aliança Empreendedora, em parceria com o Facebook, irá promover os “Encontros: Diversidade e Empreendedorismo LGBTI”.

A iniciativa consiste em 8 encontros gratuitos e itinerantes em capitais do Brasil, focados em negócios, marketing digital e empreendedorismo para pessoas LGBTI, realizado no âmbito do projeto Impulsione com Facebook. O Impulsione é composto por uma série de eventos para quem está começando a usar redes sociais para negócios, ou ainda para pessoas que querem saber como as plataformas podem ajudar a fortalecer vendas de produtos ou serviços.

No mês de setembro aconteceram dois “Encontros: Diversidade e Empreendedorismo LGBTI”, nas cidades de São Paulo e Brasília. Para 2019 ainda estão previstos encontros com essa proposta nas cidades de Salvador-BA, Recife-PE e Belém-PA.

Nos eventos do Impulsione com Facebook além dos painéis do “Encontros: Diversidade e Empreendedorismo LGBTI”, também são realizados painéis voltados a empreendedores imigrantes e empreendedores negros, por meio das organizações parceiras Migraflix e AfroHub respectivamente. Tais painéis integram uma extensa programação que contém palestras com especialistas do Facebook, exposição de projetos de impacto e oficina de informações sobre Facebook e Instagram. O objetivo é de ser um espaço gratuito para os participantes trocarem experiências e tirar dúvidas.

Para aprofundar a compreensão sobre a importância de discutir empreendedorismo e diversidade, o News AE conversou com Daniel Paz, gerente de marketing e empreendedorismo do Facebook Brasil. Confira a seguir.

News AE: Por que o Facebook considera importante a realização de um encontro para debater diversidade e empreendedorismo LGBTI?

Daniel Paz: O Facebook se preocupa muito que a plataforma seja um espaço para que todos compartilhem suas ideias, sejam pessoas, pequenas empresas ou comunidades específicas, como mães que amamentam e trabalham, empreendedores, públicos de comunidades como LGBTI e afro. Quando falamos do público LGBTI no Brasil, o Facebook se preocupa justamente por ter essa causa internamente. Queremos levar este valor também para os negócios e fazer com que os usuários da plataforma se sintam em ambientes seguros para interagir com uma comunidade específica.

News AE: o que está por trás da motivação para a realização do evento?

D.P.: Quando falamos especificamente de empreendedores LGBTIs, temos também a questão do acesso aos negócios. Queremos oferecer a esses empreendedores a mesma possibilidade que eles teriam se estivessem empreendendo em um ambiente de menos preconceito e discriminação, para que possam empreender sendo eles mesmos, sem esconder quem são e com orgulho disso.

Da mesma forma que temos apoiado empreendedores no geral, queremos apoiá-los de uma forma especial para estimular esse compartilhamento e criação de comunidades. Acho que um ponto além disso é quando falamos de mulheres trans, um público que está muito à margem da sociedade do ponto de vista dos negócios. O Brasil ainda não é um país com altas taxas de empregabilidade para esse público. Então, o empreendedorismo é, por vezes, a única saída dessas mulheres de gerar renda e ter autonomia financeira. É por isso que, com esse programa, também pensamos na intencionalidade e na questão de públicos que integram a sociedade, mas que estão à margem.

News AE: Como a realização de eventos com esse caráter, ou seja, o de agregar e discutir diversidade, pode contribuir com a expansão e fortalecimento do ecossistema de microempreendedorismo no Brasil?

D.P.: Acredito que há algumas formas de contribuição para que o ecossistema se torne mais aquecido e cresça. A primeira é usar a força de marcas relevantes trabalhando com essa audiência. O Facebook, por exemplo, é uma marca global forte, disruptiva e inovadora. A Aliança Empreendedora é uma organização que nos últimos dez anos tem trabalhado com microempreendedores com a teoria Effectuation, que traz a visão de que todos podem empreender, que casa muito com essa ideia de incluir todos sem exceção. Quando envolvemos grandes marcas, conseguimos de fato mostrar para o ecossistema – e quando eu digo ecossistema são diferentes organizações da sociedade civil e empresas privadas e até poder público -, que existe, sim, uma demanda para esse grupo, só que falta oferta. E, dessa forma, inspiramos que outras empresas façam o mesmo. Acho que outra forma é engajar pessoas com uma atuação relevante no assunto. Em Belo Horizonte temos a Duda Salabert, uma ativista que fundou o Transvest, uma organização que capacita mulheres trans para empreender. Ela foi a primeira mulher trans a se candidatar a uma vaga no Senado. Engajar essas pessoas pode gerar uma grande onda de inspiração.

News AE: Qual é o papel de redes sociais como Facebook e Instagram no setor do microempreendedorismo no Brasil?

D.P.: O papel é dar voz a todas as pessoas para que possam criar comunidades. Tudo que fazemos dentro do Facebook – seja na área de marketing, de vendas ou de plataformas de mídia – tem este propósito de usar o nosso trabalho para ajudar as pessoas no mundo, sejam elas clientes, pequenas empresas, consumidores ou jovens no Instagram, por exemplo. Nosso objetivo é que os microempreendedores no Brasil usem a plataforma primeiro para que tenham voz enquanto seres humanos. A partir do momento que têm voz, buscamos que se empoderem para criar comunidades sobre aquilo que importa para eles. Sejam comunidades de causas sociais ou de negócios. E é aí que falamos de empreendedorismo.

News AE: Na sua avaliação, como o ecossistema de apoio ao microempreendedor (organizações públicas e privadas que oferecem capacitação e recursos ou acesso a crédito) pode contribuir com a formação dos empreendedores no que se refere à comunicação e como esta capacidade pode influenciar a trajetória dos negócios/empreendimentos?

D.P.: Quando falamos de empreendedorismo no Brasil, ainda é um pouco confuso porque não existe uma separação do que é um indivíduo que quer empreender, o que é a pequena empresa ou o que é uma startup de base tecnológica. Está tudo misturado. E quando olhamos os apoios da indústria, sejam órgãos público/privado como o Sebrae, organizações da sociedade civil ou empresas privadas como o Facebook, os programas também estão nessa confusão e, às vezes, é difícil separar os públicos. Mas, ao mesmo tempo, vejo que existem iniciativas focadas. Acredito que a atuação das empresas tem sido excelente na criação de ações como essa. Entretanto, falta uma união de organizações a fim de fazer algo que tenha mais valor para esses empreendedores que estão na ponta, para que cada empresa e cada agente consiga dar um pouco da sua expertise. Essa aglutinação pode ajudar empresas a trabalhar de forma cruzada e colaborativa com um único objetivo. São muitos os programas, cada um com seu impacto. Como conseguimos cruzar todo mundo?

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